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74% das multinacionais brasileiras se internacionalizam por meio de aquisições

O Observatório de Multinacionais Brasileiras da ESPM realizou um mapeamento para levantar a presença de empresas nacionais no exterior. Captaram 266 subsidiárias presentes em mais de 30 países.  

A pesquisa também detectou uma clara mudança de estratégia das empresas brasileiras, pois até 2005, quando elas realizavam investimentos fora do país adotavam o modelo conhecido como greenfield, que corresponde a adquirir o terreno no estrangeiro e construir a fábrica desde o início.

Observa-se que 74% das operações brasileiras no exterior, mapeadas pelo estudo, se deram por meio de aquisições. Essa forma de entrada em mercados estrangeiros possibilita:

  • obter conhecimento sobre como atuar no país-anfitrião;
  • estabelecer uma carteira de clientes de forma mais rápida;
  • adquirir uma marca forte no mercado-alvo,
  • ter acesso a fontes de financiamento mais baratas, e;
  • conseguir acesso a canais de distribuição, tipicamente saturados em países mais desenvolvidos.

A estratégia de aquisição contribui para reduzir as desvantagens de entrantes tardios na arena global. No período de1965 a2013, do total de empresas matrizes mapeadas pela pesquisa, 43% eram de São Paulo, 19% do Rio Grande do Sul, 10% de Santa Catarina e 8% do Rio de Janeiro.

Quanto à forma encontrada para se capitalizar e investir na internacionalização observam-se modelos típicos, por exemplo: na Alemanha, o financiamento provém majoritariamente de bancos privados; nos Estados Unidos, a alavancagem é realizada por meio do mercado de bolsa de valores; e, no Brasil, um fato chama a atenção, pelo fato de que 59% das empresas estudadas serem de capital fechado, fato gerador de dúvida sobre a fonte financiadora dessas operações.

Gabriel Vouga Chueke