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Governo, Internacionalização e Economia Criativa – Qual a relação?

ECONOMIA CRIATIVA?

A economia criativa é um assunto recente e com muita oportunidade de exploração científica e prática. Apesar de muitas pessoas não conhecerem o conceito, a economia criativa movimentou cerca de 735 bilhões de reais em 2011, o que representa aproximadamente 18% do PIB brasileiro. Mas, ora, o que afinal é economia criativa?

Economia criativa é a parte da economia de um país cujas indústrias monetizam a criatividade, ou seja, o capital das empresas é a criatividade do ser humano, e por meio dela são gerados produtos e serviços a serem comercializados. Mas de que indústrias estamos falando? Cinema, música, teatro, dança, publicidade, artesanato e arquitetura são exemplos de indústrias criativas que movimentam milhões de reais anualmente no Brasil.

O setor de arquitetura no Brasil, por exemplo, exporta mais de 5 milhões de reais anualmente, emprega mais de 230 mil trabalhadores em mais de 28 mil estabelecimentos. Esse é um dos motivos pelos quais é tão interessante estudar o setor, principalmente a internacionalização dos escritórios de arquitetura com o apoio governamental do projetoBuilt by Brazil,da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

FIRJAN: A cadeia da indústria criativa no Brasil.

ANDAMENTO DA PESQUISA

A pesquisa teve o objetivo de responder de que forma os instrumentos de fomento, em particular o projetoBuilt by Brazil, provido pela APEX, podem aumentar a eficácia do processo de internacionalização das empresas de arquitetura do setor da economia criativa no Brasil. Para encontrar tal resposta, a dissertação de mestrado de Caio Bianchi, sob a orientação do Prof. Dr. Júlio Figueiredo, no PMDGI, levantou referências nas literaturas de economia criativa, sobre os modos de entrada em mercados externos e na compreensão do ambiente governamental brasileiro.

Depois de entender as características teóricas, foram realizadas dez entrevistas em profundidade: quatro escritórios que participam do projeto, quatro escritórios que já se retiraram do projeto, a gerência do projeto na Apex-Brasil e a gerência do projetoBuilt by Brazil. As entrevistas foram divididas para que fosse possível entender os três lados da história: os escritórios ativos, os escritórios inativos e os responsáveis pelo projeto.

As entrevistas foram realizadas com diretores e gerentes dos escritórios em São Paulo e Porto Alegre que possuem maior experiência internacional e maior tempo de participação doBuilt by Brazil. Todas as entrevistas foram gravadas, transcritas e analisadas utilizando a técnica de análise de conteúdo com a ferramenta Atlas TI, em que cada entrevista foi categorizada, em média dez vezes para que nenhum detalhe passasse desapercebido.

PRINCIPAIS RESULTADOS

Após analisar todas as entrevistas e confrontar os resultados com a teoria, diversos pontos foram destacados. O primeiro é que os escritórios de arquitetura optam por diferentes estratégias para se internacionalizarem, porém o mais comum é fazerem acordos com escritórios estrangeiros para facilitar os trâmites legais e burocráticos do país-alvo.

O segundo resultado é que o projetoBuilt by Brazilpassou por problemas na gestão anterior (entre 2010 e 2014), fazendo, por um lado, com que todo o esforço fosse reestruturado, e os resultados objetivos do projeto ainda não pudessem ser observados. Por outro, a atual gestão está buscando organizar da melhor maneira os escritórios para que tenham mais visibilidade internacional e que a qualidade da arquitetura brasileira seja reconhecida ao redor do mundo.

O terceiro resultado é que não basta conhecer o setor de arquitetura e suas características financeiras, os aspectos voltados para a criatividade também são relevantes para que o fomento à internacionalização seja eficiente. Exemplos de características do setor de arquitetura atreladas à economia criativa são a importância da qualidade de vida, da diversidade no ambiente de trabalho e da personalização da mão de obra.

O quarto e último resultado principal da pesquisa apontou para nove proposições de ações que o projetoBuilt by Brazilpode executar para aumentar a sua eficiência. As nove proposições são divididas entre ações para desenvolver os escritórios internamente, ações para aumentar a competitividade internacional dos escritórios e ações para promover a imagem dos escritórios e da arquitetura brasileira no mundo.

É possível observar três principais contribuições da pesquisa: a expansão da literatura sobre internacionalização da economia criativa, o mapeamento das características estratégicas e criativas do setor de arquitetura e nove propostas de ações que são capazes de, com base científica, aumentar a eficiência governamental na internacionalização de escritórios de arquitetura brasileiros.

Abordagem Ações
Desenvolvimento Interno

Capacitação sobre procedimentos específicos de internacionalização

Capacitação sobre barreiras não tarifárias em mercado-alvo específicos

Visitas guiadas a escritórios estrangeiros para reconhecimento da estrutura

Competitividade Internacional

Captação e mantença de clientes com potencial internacional

Rodadas de negócios organizadas com investidores em potencial

Acompanhamento nas etapas de internacionalização e suporte contínuo

Promoção de Imagem

Participação em feiras e concursos internacionais

Parceria de divulgação de imagem com escritórios internacionais

Visitas guiadas ao desenvolvimento histórico da arquitetura brasileira

Caio Bianchi
caio.bianchi@espm.br