Cha e Qui

Já em 1500, a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei Dom Manuel gerou a expressão 

“em se plantando tudo dá”.

 

Tal afirmação é comprovada até hoje na agricultura brasileira, que sempre teve papel relevante na nossa economia e, em 2016, representou 8% do PIB, esperando um crescimento de 3,61% em 2017.  O periódico desta exposição, Chacaras e Quintais, criado pelo empresário Amadeu A. Barbiellini em 1909, representa parte da história deste setor, adotando diferentes estratégias para obter assinaturas e exibindo anúncios em profusão, atingindo altas tiragens.

 

Em 1910, Cha e Qui, como era chamada, iniciou a distribuição em várias capitais brasileiras, tendo como seu representante no Rio de Janeiro a Casa Laemmert & Cia (confira o livro produzido pelo Instituto Cultural e finalista do prêmio Jabuti 2016 Annuncios do Almanak de Laemmert). No ano seguinte, o periódico agrícola, atingiu uma tiragem surpreendente para a época, de 16 mil exemplares.

Capas Revista Chacaras e Quintais

Seu conteúdo abrangia diversos assuntos, como: entomologia; controle de pragas; produção de bebidas; botânica; floricultura; entre outros, sendo que a avicultura era o tema central da revista. Curiosamente, essa era uma das atividades comerciais desenvolvidas por Barbiellini, que possuía um aviário em sua propriedade em Vila Ema, bairro paulistano.

 

A revista divulgava todo este conteúdo, se mantendo por meio das assinaturas e, principalmente, pelos anúncios, que eram a maior fonte de renda da publicação. Eram publicados em grande quantidade e, por vezes, ocupavam páginas inteiras, sempre com uma vasta diversidade de assuntos. Encontram-se, por exemplo, a divulgação de concursos, ofertas de brindes, organização de semanas e exposições agrícolas e produtos variados, como maquinários agrícolas, chocadeiras, livros de veterinária, automóveis, entre outros.

 

Há também anúncios de medicamentos, equipamentos e campanhas da área da saúde, envolvendo o tratamento de enfermidades comuns da época, além de instituições produtoras de soros e vacinas, como o Instituto Butantan e o Instituto de Manguinhos. É nítido o interesse de levar ao “homem do campo” conhecimento, cultura e ajuda, tanto na criação de animais quanto no combate às pragas da lavoura.

 

Em produtos, vale destacar a predominância dos importados, principalmente da Alemanha, o que demonstra o investimento de capital, que tornou o Brasil o segundo maior parceiro no comércio germano-latino-americano em 1914, com a participação alemã progressiva por muitos anos. (confira a exposição publicidade de empresas alemãs no Brasil)

Veja a exposição de anúncios da Cha e Qui, publicados de 1925 até 1950.

Um empreendimento editorial de sucesso no Brasil.