Manuel Leite | Uma voz da propaganda

Manuel Lisbôa Leite (1920 / 1996), Paraibano, de Campina Grande, saiu adolescente para estudar em Recife (1936), depois, Salvador (1937) e em seguida (1939), pegou um “Ita do Norte e foi pro Rio morar”.

Gal Costa - Peguei um Ita do Norte *

Após fazer a Escola de Cadetes de Agulhas Negras durante a 2a Guerra, começou a vender assinaturas da revista Publicidade & Negócios e depois, em 1945, a trabalhar na agência Poyares.

Em 1949, foi para a McCann-Erickson, onde trabalhou quase 10 anos, no tempo do Armando Sarmento e do Emil Farhat, onde encontrou um amigo de sempre, o Altino João de Barros.

No Rio, como diretor de Rádio Nacional (a “Globo” da época do Rádio) foi responsável pelo lançamento, supervisão, criação de vários programas como o Repórter Esso, Um milhão de Melodias da Coca Cola, Rádio Almanaque Kolynos, entre outros.

Ainda no Rio, passou pela Interamericana do Armando d’Almeida (1958), pela Standard, hoje Ogilvy, de Cícero Leuenroth (1959) e pela J.W.Thompson, do Augusto de Ângelo (1960).

Eram tempos de domínio do Rádio, onde a função da Mídia era extremamente ligada aos veículos de comunicação, desenvolvendo programas sob medida para os anunciantes, decidindo o “cast”, roteiro, criando textos sonoros, etc.

No início dos anos 60, ainda na J.W.Thompson, por convite do Renato Castelo Branco, mudou com a família para São Paulo, assumindo a Direção de Mídia.

Criou a primeira estrutura de mídia setorizada (Impressa / Rádio, TV e Cinema / Ar Livre), com um time de profissionais que faria inveja a muita gente: Octávio Florisbal, José Francisco Queiroz, José Alves, entre outros; e que formariam a base do futuro Grupo de Mídia.

Em 1965, assumiu a diretoria comercial da TV Paulista – canal 5, depois TV Globo, e acompanhou a fundação da TV Globo - canal 4, no Rio.

De lá, com o jornalista Mauro Salles, fundou a Mauro Salles Publicidade, onde ficou até 1969.

Em seguida, dirigiu o escritório da TV Rio em São Paulo e montou a sua própria empresa para representar a Rádio Nacional do Rio, até 1973. Daí dirigiu as Rádios Nacional e Excelsior.

Depois trabalhou para a Business Week, Informasom, Conar, Rádio Capital, Grupo A de Jornais de Bairro, O Dia e, por fim, a TV Cultura de São Paulo (até 1990).

Em 1959, defendeu a tese dos veículos padronizarem as suas tabelas, no I Congresso Brasileiro de Propaganda. Em 1961, apresentou uma tese sobre a Auto-Regulamentação dos Veículos de Propaganda, no Congresso Latino- Americano.

Em 1969, falou em nome das emissoras de Rádio, no II Congresso de Propaganda e, por fim, em 1976, representou todos os meios de comunicação no histórico II Encontro Brasileiro de Mídia, organizado pelo Grupo de Mídia. 

 

 

 

 

 

 

 

Depoimentos

“Quando bebê, tomei deste ‘Leite’.

Explico: em janeiro de 1964, o caipira aqui chega a São Paulo, 18 anos, órfão de pai. Luizir Blota (meu primo) trabalhava na mídia da JWT e seu chefe era o Manuel Leite.

[...]

Lá, conheci o Manuel Leite, que, com a simpatia de sempre, bateu um papo comigo e me deu uma dica inesquecível: ‘Sei que nesta prova, que é de conhecimentos gerais, uma questão que sempre cai é o significado de nomes de entidades (ONU, UNESCO, OTAN etc.)’.

[...]

Fui para a prova, uma das questões perguntava sobre três daquelas entidades. Bingo! Fui o 89º de 90 vagas e comecei uma carreira profissional que completa 52 anos.

Cada um de nós teve um ou mais anjos da guarda na vida profissional. O Manuel Leite, para mim, foi um deles.”

 

Zé Francisco Queiroz

Vice-presidente de marketing da ESPM


“Aprendi muito com o querido Manuel Leite, de quem fui ardoroso fã e amigo quando trabalhava na Willys-Overland, e ele na então Mauro Salles, ainda em formação, nos fins dos anos 60.

O que mais perdura em minha memória é a alegria e o sorriso fácil que ele trazia consigo, contagiando-nos positivamente, sem falar na seriedade e no profissionalismo que o caracterizava. Todos, sem exceção, do Departamento de Propaganda da Willys, adoravam Manuel Leite. Lá se foram os bons tempos em que agência e cliente se amavam, graças aos profissionais como ele.”

 

João De Simoni

Conselheiro da ESPM


“Manuel Leite era uma das figuras mais simpáticas da propaganda na década de 60.

Era uma figurinha carimbada, uma lenda da nossa história. Aquele sorriso maroto revelava uma grande alma.”

 

Oscar Colucci

Publicitário


“Manuel Leite é o homem que introduziu o rádio profissionalizado no Brasil.”

 

Altino José de Barros

Conselheiro da ESPM


“Considero Manuel Leite como um dos mais brilhantes profissionais da primeira geração da mídia brasileira.

A mídia brasileira deve muito a Manuel Leite.

Ele foi para mim mais do que um mestre, um exemplo pela competência, profissionalismo, liderança, honestidade e visão do futuro da mídia!

Minha maior convivência com Manuel Leite foi através da relação agência x veículo: ele não vendia espaço, vendia ideias para encontrar solução de comunicação para o cliente.

Que saudade!”

 

Otto de Barros Vidal

Publicitário

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